Um Casamento na Quinta da Portela
O ato do casamento, sob o ponto de vista sociológico, é um acontecimento muito interessante. Representa a união de duas famílias, quaisquer que sejam os interesses dessa união. Representa, simultaneamente, a formação de uma nova família, com todas as virtualidades que uma família apresenta como, segurança, proteção, ninho, colo, educação, continuidade… Assim se explica que um casamento seja sempre uma festa. E que a cerimónia desse contrato escrito, necessite de testemunhas.
Onde eram realizados, antigamente, os casamentos? Durante a monarquia, os casamentos eram realizados na igreja. Não só devido à educação religiosa recebida como ao facto de a Igreja ser a única instituição que, na época, podia lavrar o documento escrito que firmava o contrato. Os noivos da Portela iam casar a Santarém, à igreja paroquial da freguesia do Salvador que ficava no atual Largo do Padre Chiquito e que foi derrubada depois de ter ficado muito destruída pelo terramoto de 1909. A igreja de N.ª Sr.ª da Piedade e a igreja do Seminário eram também usadas, quando a igreja do Divino Salvador estava impedida de receber os noivos.
Nos últimos tempos da monarquia, já alguns casais se recusavam a casar na igreja, fazendo-o junto da entidade civil adequada e que era o Administrador do Concelho. Eram casos tão raros que mereciam ser noticiados nos jornais republicanos como é o caso do escalabitano O Debate.
Depois de ter sido implantada a República e de ter sido instituído o Registo Civil obrigatório, muitos casais casaram só civilmente. Entre 1910 e 1920, aproximadamente, uma percentagem significativa dos casamentos fazia-se no Terreirinho das Flores, onde se situava a Conservatória do Registo Civil.
Com o Estado Novo, a norma passou a ser o retorno ao casamento religioso. O mais simples era casar em Santarém, na Igreja da Piedade, como os meus pais ou em Santa Clara como muitos jovens da minha geração. Eram as igrejas da freguesia que serviam de paroquiais. Só depois de Santarém se tornar uma diocese, e de a igreja do Seminário se tornar a Sé, é que os casamentos se passaram a realizar no Seminário.
Muitos noivos queriam um casamento diferente, e pediam autorização religiosa para se casarem nas capelas das quintas. Quantos casamentos se realizaram na capela da Quinta dos Anjos… Também sei de casamentos realizados na Quinta da Saúde. Mas na Quinta da Portela, vulgo Quinta das Trigosas, só sei mesmo de um. O noivo alegou ter feito a promessa de se casar aí, e a senhora D. Maria de Lurdes Trigoso disponibilizou a capelinha, certamente sensibilizada por se terem lembrado da sua Quinta. Rui António Madeira Silva e Elisa Rosa, conhecida por «Gina» uniram assim os seus destinos na Quinta da Portela. É desse casamento a fotografia que hoje publico.
Com ela podemos recordar muitos vultos da Portela. Na fila de trás, e identificando só os que eu reconheço, o João José Melro, as minhas amigas Maria Emília e Irene Teodósio, o meu tio Eugénio Beja, o Luís «Pató», o Marino, penso que o meu tio Joaquim Queijeiro, o falecido Jaime Silva (irmão do noivo).
À frente, o Raul tipógrafo e a Júlia Botelho, o António Teodósio com a mulher, o João Botelho, o Daniel Henriques, o Laurentino Beja da Silva, e, mais para a direita a Celeste e o Tacão, a Isabel da Lita, o Abreu…
Casamentos simples mas que contam a história dos usos e costumes das nossas gentes.
O Rui e a Gina foram os pais do João Miguel e da Ivone Silva. Ele foi o fundador da empresa SILGAR que, atualmente, tem sede na Portela.
Encontros de Confraternização AAEPP – Organização
Olá a todos
Servindo para relembrar a realização do próximo encontro de confraternização dos AAEPP, que será o 10º, no dia 20 de Maio – confirmações até dia 13 de Maio:
João Faustino 918 133 156
José Gomes 914 565 529
Luis Lameiras 917 884 106
MªAntónia Melro 913 815 294
Vitor Caréu 963 110 701
Aproveito para postar as organizações dos encontros (colegas organizadores) desde o primeiro:
COMISSÃO ORGANIZADORA DO 1º. ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO – ANO DE 2003
LOCAL: ADEGA TIPICA
JOSÉ ANTONIO ELOY
BOAVENTURA LUCAS MAIA
RUI ANTONIO ROVISCO AURÉLIO
COMISSÃO ORGANIZADORA DO 2º. ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO – ANO DE 2004
LOCAL: ADEGA TIPICA
MARIAZINHA LOPES
MANUEL BRÁS
ALFREDO MENDES
JOSÉ LIMA
VITOR CARÉU
COMISSÃO ORGANIZADORA DO 3º. ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO – ANO DE 2005
LOCAL: ADEGA TIPICA
MARIAZINHA LOPES
MARIA ANTONIA MELRO
MARINO FERNANDES FIGUEIREDO
JOSÉ MANUEL VIOLANTE
COMISSÃO ORGANIZADORA DO 4º. ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO – ANO DE 2006
LOCAL: C C F C
JOÃO JOSÉ SILVA
QUIM MÓNICA
JOSÉ MANUEL PATRICIO
ANTÓNIO JOSÉ CARÉU
MARIA ALZIRA QUEIJEIRO
COMISSÃO ORGANIZADORA DO 5º. ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO – ANO DE 2007
LOCAL: C C F C
MARTINHO DOS SANTOS PEDRO
CARLOS LIMA
LUIS LAMEIRAS
ANTÓNIO VIOLANTE
CECÍLIA ALICE
COMISSÃO ORGANIZADORA DO 6º. ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO – ANO DE 2008
LOCAL: C C F C
ANTÓNIO PEDRO
EUGÉNIO HENRIQUES
CÉU MARONA
LUIS FAUSTINO
JOSÉ ANTÓNIO
COMISSÃO ORGANIZADORA DO 7º. ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO – ANO DE 2009
LOCAL: C C F C
ANTÓNIO MARIA CORREIA DA SILVA
LUIS MANUEL CARREIRA DA SILVA
JÚLIA QUEIJEIRO
AGOSTINHO PEDRO
EURICO LAMEIRAS
COMISSÃO ORGANIZADORA DO 8º. ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO – ANO DE 2010
LOCAL: C C F C
LUIS PINTO
ANTÓNIO VIOLANTE
ALEXANDRE SANTOS
AMÂNDIO MATOS
ISABEL JESUS
COMISSÃO ORGANIZADORA DO 9º. ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO – ANO DE 2011
LOCAL: ADEGA TIPICA
FERNANDO PATRICIO
FERNANDO CEPAS
JOSÉ MANUEL VIOLANTE DA CONCEIÇÃO
JOÃO JOSÉ SILVA
ISABEL QUEIJEIRO
COMISSÃO ORGANIZADORA DO 10º. ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO – ANO DE 2012
LOCAL: ADEGA TIPICA
JOÃO FAUSTINO
MARIA ANTÓNIA MELRO
VITOR CARÉU
JOSÉ GOMES
LUIS LAMEIRAS
Quinta das Trigosas
A zona do Bairro de Santarém era uma região de quintas. A Portela das Padeiras não fugia a essa característica.
Já aqui se falou de várias quintas, desde a muito recordada Quinta dos Anjos, à quinta da Mafarra, até à Quinta dos Pinheiros que, hoje, só persiste nas escrituras e endereços postais.
Por qualquer razão, ainda não se falou da Quinta da Portela, conhecida vulgarmente como quinta das Trigosas.
Há quarenta ou cinquenta anos atrás teve a sua importância na formação da juventude dessa época. Pertencia à Sr.ª D. Maria de Lurdes Holbeche Trigoso Nobre da Veiga Hintze Ribeiro Nunes, que era professora de música.
Na sua casa da rua João Afonso, onde há a bela janela renascentista e uma enorme buganvília roxa, a Luxa, como era tratada pelos seus alunos, dava aulas de solfejo. E aí criou, antecipando-se no tempo, atividades de tempos livres. Contratou jovens que davam explicações e ajudavam os pequenos estudantes a fazerem os seus trabalhos de casa. A Ema Lavareda e a Florinda Beja foram duas dessas jovens explicadoras.
Regressemos à Quinta da Portela, residência permanente da D. Maria de Lurdes Trigoso. A certa altura da minha adolescência, passou a dizer-se missa de quinze em quinze dias na capela da Quinta, intervalando com as missas na Quinta dos Anjos. Recordo a realização de brincadeiras, jogos, concursos, corridas, seguidos de lanches distribuídos a todas as crianças da Portela que participavam. Momentos de grande alegria, confraternização e felicidade.
Muitas famílias da Portela se formaram pela união de rapazes de famílias locais com as empregadas que a D. Maria de Lurdes ia buscar a Trás-os-Montes. Estão neste caso todos os Lameiras, cujas mães vieram novas trabalhar para a Quinta.
Vem tudo isto a propósito de uma gravura muito antiga que me foi dada pela Gertrudes «Melra», de saudosa memória. É uma fotografia dos empregados, tirada na Quinta das Trigosas. Com muito gosto a divulgo.
Identificando, temos da esquerda para a direita, a ti Maria «Melra» e o tio António Barra (no meio dos dois está o João Luís), seguem-se as irmãs Eugénia e Assunção Lameiras, depois a Lurdes que casou com o Luís Serralheiro e que acho que também era Lameiras. Ao lado da Lurdes está o Adelino «Barrasquinho», depois, muito provavelmente a Isabel Henriques, a Ernestina Calqueres e o Joaquim Barqueiro. Ignoro quem sejam as duas meninas que estão à frente da Eugénia e da Assunção Lameiras. De todos os identificados só estão entre nós o João Luís e a Eugénia Lameiras. Que Deus os conserve.
Tenho guardado religiosamente esta gravura de má qualidade, em papel comum, que representa uma época a guardar na memória. Uma época onde as nossas raízes estão mergulhadas. E que todos os naturais da Portela deveriam conhecer.
Procura de Antigo Aluno
Bom dia a todos!
Embora o Blog esteja meio preguiçoso, ainda tem tido umas visitazitas… A prova disso é ter recebido um contacto a solicitar forma de contacto com Maria Lélia Florencio Ribeiro, para um almoço de confraternização de turma da Escola Comercial de Santarém.
Penso que algum de vocês deverá ter… Claro que não será para postar aqui e agradeço que me enviem por email – que depois faço chegar ao interessado.
Vamos lá então ver se passa o periodo de férias dos escritores e postadores!
Cumprimentos a todos
As glicínias estão em flor
Quando eu era muito pequena já tinha uma grande admiração pelas glicínias.
Poucas pessoas as tinham, nessa altura. Lembro-me de um enorme caramanchão que havia nos terrenos do senhor Campos, por detrás da CCFC. Totalmente abandonada, era mesmo assim soberba, com seus cachos lilases e odoríferos. Sem ninguém que a podasse, crescia, imponente, para encanto de quem por ela passasse.
A minha memória guardou também o meu encantamento por uma pérgula da Quinta dos Anjos, penso que na traseira do prédio, em que se entrelaçava uma imensa glicínia lilás com uma buganvília de um roxo muito escuro. (Desde os eucaliptos da nossa escola, que afinal não eram eucaliptos, que eu desconfio da minha memória). Teria existido esta pérgula?
Na minha inocência da infância, achava que as glicínias eram exclusivas das casas ricas.
Quando, há trinta anos, construí a minha casa num lote da Quinta dos Pinheiros, formulei o desejo de plantar uma glicínia. Na zona do Girão, junto a um poço velho, lá estava uma glicínia resistindo, também ela, ao abandono. Trouxe um bocadinho com raiz mas, não acreditando que ela pegasse, pedi ao meu sogro que me trouxesse uma estaca de Rio Maior. Para minha surpresa as duas pegaram, encaminhando-se para a latada de arames que as esperava. Hoje sinto orgulho da minha dupla trepadeira de trinta anos.
A minha glicínia mostrou-me como, afinal, esta planta não era assim tão exclusiva das casas ricas. Tinha-se democratizado.
Quando faço as minhas caminhadas pela Portela e arredores, verifico que há muitas glicínias nas novas vivendas que por aqui foram proliferando. Na zona do complexo desportivo, descobri mesmo uma talhada como um bonsai.
Todas lindas, pequenas ou grandes.
Mas, entre todas elas, não posso deixar de salientar a do Zé Manel Violante que dá sombra a toda a parte lateral da casa. Não deixem de reparar nela, quando por lá passarem. E depois digam-me se não tenho razão.




